30 de janeiro de 2015

Comandante de unidade do Exército é alvo de preconceito em rede social.

Carla Clausi é primeira mulher a comandar uma unidade militar do Exército.
Major diz que 'dá risada' dos comentários preconceituosos.

Do G1 PB
Carla disse que sente orgulho por entrar na história do Exército brasileiro (Foto: Daniel Peixoto/G1)
Carla disse que sente orgulho por entrar na história
do Exército brasileiro (Foto: Daniel Peixoto/G1)
Alvo de comentários preconceituosos em uma rede social, a primeira mulher a comandar uma unidade militar do Exército Brasileiro afirmou que “se diverte e dá muita risada” com os comentários que duvidam da capacidade de uma mulher ocupar este posto. A major Carla Clausi assumiu na sexta-feira (23) a direção do Hospital de Guarnição de João Pessoa.
“Existem muitas diferenças entre os homens e as mulheres e eu não discordo disto. É comprovado que o homem é mais forte fisicamente do que a mulher. Mas isso não quer dizer que eu não seja capaz de estar aqui. Eu li muitos dos comentários que foram postados na rede social e me orgulho de perceber que a maioria está me dando força e me apoiando. Quanto aos que acham que uma mulher não é capaz, eu só dou risadas”, relatou a militar.
Muitos dos comentários preconceituosos foram feitos em resposta à postagem do Exército em uma rede social em que anuncia que a major assumiu o comando do hospital na Paraíba. Na página oficial do Exército, um rapaz comenta que tem "pena do marido da major". Outro usuário da rede social comenta que ela "deve ser filha de algum figurão" e um outro ainda diz que tem dó dos soldados: "mulheres já são complicadas, imaginem oficial do Exército", disse e concluiu com "coitados dos soldados".
Major é alvo de comentários preconceituosos (Foto: Reprodução/Facebook)Carla conta que seus 19 anos de carreira dentro do Exército mostram porque ela chegou ao comando da unidade. “Dentro do exército as coisas acontecem por meritocracia. Eu mereço estar aqui”, afirma.
“Moramos numa sociedade que foi criada com um pensamento machista e isso se reflete na opinião de algumas pessoas. O Exército, por si próprio, só liberou a entrada de mulheres após a Marinha e a Aeronáutica. Lembro no começo da minha carreira que ouvi comandantes afirmando que mulheres nunca chegariam ao comando, mas eles tiveram que nos engolir”, lembra.
A major explica que sente muito orgulho por entrar na história do país como a primeira mulher a comandar uma unidade militar do Exército, mas que existem muitas outras fazendo um bom trabalho. “Eu só fui a primeira por questão de estar aqui há mais tempo”, finalizou.
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Carla Clausi fez medicina na Universidade Federal do Paraná, fala quatro línguas, se formou na Escola de Saúde do Exército em 1997 e já tem uma coleção de nove medalhas e uma missão no Haiti no seu currículo. Ela foi nomeada para o cargo no Hospital de Guarnição em maio de 2014, mas só foi empossada no cargo na sexta-feira.
Major Carla Clausi é a primeira mulher a comandar uma unidade do Exército Brasileiro, em João Pessoa (Foto: Cap Carolina Alves/HGuJP)
Major Carla Clausi é a primeira mulher a comandar uma unidade do Exército Brasileiro, em João Pessoa (Foto: Marco Andrade/HGuJP)
G1/montedo.com

No Sudão do Sul, ex-crianças-soldado trocam armas por livros.

Cerimônia para soldados infantis
A ONU diz ter conseguido a desmobilização de pelo menos 3 mil soldados infantis envolvidos no conflito
Ed Thomas
Da BBC, em Pibor (Sudão do Sul)
A ONU diz ter conseguido a desmobilização de pelo menos 3 mil soldados infantis envolvidos no conflito
As cerca de 300 crianças estão uniformizadas e carregam rifles enquanto escutam o discurso de seu comandante, em Pibor, no Sudão do Sul.
Há um certa agitação no ar, porque em breve as crianças passarão aos cuidados das Nações Unidas.
Após anos de participação como soldados em uma guerra civil, as crianças enfim poderão ir para casa.
"Não vejo minha mãe e minha família desde o verão passado", explica Silva, um dos mais jovens soldados na cerimônia.
Ele tem apenas 11 anos. E assim como seus companheiros de armas, tem sua identidade preservada. Silva é um nome fictício.
"Vi muitas pessoas morrerem em minhas missões", conta Silva.
"Eu tinha um fuzil AK-47. Era pesado. Estava lutando para proteger minha família e minha aldeia".

Grito de batalha
Soldados infantis no Sudão do Sul
Crianças de 11 anos estavam entre os milhares de soldados infantis recrutados pelos dois lados na guerra civil do Sudão do Sul
A cerimônia é conduzida pelo general Khalid Butrus Bura, um dos comandantes de Silva na Tropa Cobra do Exército Democrático do Sudão do Sul.
Trata-se de uma poderosa milícia atuante na região de Pibor e que há mais de três anos vive em guerra com governo do Sudão do Sul - um dos muitos conflitos desde que o país foi criado, em 2011, após conquistar sua independência do Sudão.
Porém, a situação em Pibor se tranquilizou com a assinatura de um acordo de paz entre o governo e David Yau Yau, líder rebelde que pegou em armas contra as autoridades sob a alegação de estar defendendo os interesses da minoria étnica murle. A maioria da população sudanesa do sul, estimada entre 8 e 10 milhões de pessoas, é das etnias dinka, nuer, bari e azande.
Yau Yau é uma presença forte na região de Pibor e seu nome é gritado pelas crianças-soldado antes de sua transferência para um complexo especial da ONU no vilarejo de Gumuruk.
O general Yau Yau
Depois de comandar crianças na frente de batalha o general Yau Yau agora promete que os ex-combatentes irão à escola
Silva agora pensa num futuro sem guerras.
"Quero estudar. Não quero mas lutar. Tinha medo"
Ao lado de Silva está Abraham, de 12 anos.
Ele é uma criança que carrega o ar de um veterano de guerra.
"Tinha medo de morrer e senti que precisava lutar", diz Abraham.

Aldeia queimada
As estimativas são de que a guerra civil no Sudão do Sul já tena matado mais de 50 mil pessoas
"Duas irmãs foram mortas. Estive em missões e vi muitas pessoas morrendo também".
O conflito em Pibor é paralelo à rebelião nacional que eclodiu no Sudão do Sul em 2013 e que já matou mais de 50 mil pessoas.
A ONU acredita que milhares de crianças têm sido forçadas a lutar em ambos os lados do conflito.
Esperança
A Unicef, agências das ONU para a criança e o adolescente diz que as crianças retiradas do conflito receberão apoio educacional e psicológico antes das tentativas de reuni-los às famílias.
No total, 3 mil crianças foram desmobilizadas, segundo um porta-voz da entidade, Jonathan Veitch.
Armas devolvidas
"É a primeira operação deste tipo que realizamos. Considerando que há uma grande quantidade de soldados infantis na guerra civil do Sudão do Sul, o fato de podermos mostrar que conseguimos tirar meninos do uniforme militar e os colocar na escola é um sinal de esperança para o futuro deste país".
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Mas o futuro desses meninos, muitos deles afirmando ter agido para defender familias e aldeias de ataques das forças do governo, depende também dos comandantes que os enviaram à frente de batalha.
Perguntado sobre a questão, o general Bura, que comandou as crianças mas também negociou sua liberação, promete que não vai usar os soldados infantis novamente.
"Queremos que as crianças tenham educação. Não as queremos mais em combate. Elas lutaram apenas porque era um momento especial em nossa história. Elas jamais lutarão novamente", afirma Bura.

Guerrilheiro sudanês
Antes de sairmos de Pibor, vimos um ex-soldado sentado do lado de fora de uma tenda da ONU.
Ele tinha tirado seu uniforme. Peter disse ter 15 anos, apesar de parecer ter bem menos, e era um dos poucos meninos que falava inglês.
"Não tenho mais medo", disse ele.
"Quero ir para escola, virar pastor e ajudar minha aldeia e minha família".
BBC Brasil/montedo.com

Governo prevê embate com militares na luta por direitos dos gays

Luciana Lima
iG Brasília
A estratégia do governo para avançar na defesa dos direitos de homossexuais, apesar do Congresso com perfil mais conservador que tomará posse na próxima semana, pode esbarrar em um novo obstáculo. Em vez da bancada evangélica, a resistência deverá ser liderada por representantes das Forças Armadas. O temor dos militares é que, com o avanço de leis que combatam a discriminação de gênero, tenham que aceitar homossexuais em seus quadros.
O governo pretende abrir diálogo com as igrejas, abandonando a defesa do PLC-122, que torna crime a homofobia e que acabou apensado à proposta de reforma do Código Penal, em uma manobra dos evangélicos no Senado que anulou toda aprovação já realizada na Câmara.
A nova estratégia do governo inclui apostar na aprovação de outra proposta, de combate à intolerância. O PL-7582, de autoria da deputada Maria do Rosário (PT-RS), define crimes de ódio e intolerância e cria mecanismos para coibi-los.
Este projeto não carrega a resistência das igrejas. No entanto, conta com a aversão dos militares, que não querem ser impedidos de recusar homossexuais nos quadros do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.
O ponto de discordância está no dispositivo que proíbe o “impedimento de acesso de pessoa, devidamente habilitada, a cargo ou emprego público, ou sua promoção funcional sem justificativa nos parâmetros legalmente estabelecidos, constituindo discriminação”, constante no item II do artigo 4º da proposta. Entre as formas de discriminação listadas na proposta, estão orientação sexual, identidade e expressão de gênero.
Em uma nota técnica emitida pela assessoria parlamentar do Exército, ainda sob o comando de Enzo Peri, a instituição se manifestou contrária à proposta. O documento foi enviado ao relator da proposta, deputado Luiz Couto (PT-PB).
Na nota, a assessoria se colocou contrária à aprovação do documento, alegando que traria “efeitos negativos” para as Forças Armadas e “reflexos indesejáveis” para o Exército. Entre os parlamentares mais ligados às Forças Armadas e que se posicionam contrários à proposta estão o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que protagonizou mais de uma polêmica relacionada ao tema no Congresso, e Nelson Marquezelli (PTB-SP), bastante ligado a militares da Aeronáutica.
Uma das alegações dos militares está no próprio Código Penal Militar, de 1969, que condena, no artigo 235, a "prática de ato libidinoso, homossexual ou não, em lugar sujeito à administração militar".
Para a autora do projeto, o posicionamento da assessoria parlamentar do Exército foi precipitada e equivocada. “Eu minimizo o conteúdo desta nota porque considero que foi um equívoco da assessoria em relação a esta proposta. Até porque, este posicionamento não foi endossado pelo governo”, disse a deputada que pretende abrir o diálogo sobre a proposta, tanto com as igrejas quanto com os representantes militares.
“Não considero que esta proposta seja capaz de abalar as estruturas de instituições como o Exército, a Marinha e a Aeronáutica. Além disso, o projeto não foi pensado com esta intenção. Foi uma proposta construída ouvindo os movimentos sociais e vários segmentos da sociedade. Estou disponível ao diálogo com o governo e com a sociedade”, disse a deputada.
iG/montedo.com

PR: sargento do exército é atacado por bandidos e leva tiro no rosto.

Sargento ferido ao reagir a assalto é socorrido (Foto: Aliocha Maurício)
O sargento do Exército Álvaro Costa Pereira, 45 anos, foi brutalmente atacado por dois assaltantes, pouco depois das 9h desta quinta-feira (29), no bairro Pineville, Pinhais. Ele seguia rumo ao trabalho e na Rua Jacarezinho, a poucas quadras de casa, foi abordado na calçada pelos dois jovens, ambos vestidos de camiseta branca.
Eles desceram de um Gol branco, modelo antigo, com rodas esportivas, e com arma na mão exigiram os pertences da vítima. Segundo testemunhas, vendo a oportunidade, Álvaro tentou tirar o revólver de um dos bandidos, mas foi baleado no rosto e em uma das coxas.
Os marginais fugiram sem levar nada, rumo à região do Alphaville. Populares disseram que eles aparentavam entre 20 e 25 anos. Apenas as letras da placa do veículo foram anotadas: ACX.
Álvaro ainda conseguiu caminhar cerca de 50 metros, mas logo deitou aguardando o resgate, que chegou rapidamente. Segundo os socorristas, o ferimento mais grave era o do rosto. O tiro entrou perto do nariz, ao lado do olho direito, e ficou alojado na cabeça.
Apesar disso, Álvaro estava consciente e conseguiu conversar com a médica que o atendeu dentro da ambulância. Ele foi levado às pressas ao Hospital do Trabalhador, em estado grave.
De acordo com familiares, ele trabalha no 5.º Batalhão Logístico, no Pinheirinho.
PARANÁ ONLINE/montedo.com

Quilombolas de Rondônia reivindicam terra ocupada pelo Exército

Forte Príncipe da Beira (RO) - Imagem: Panoramio
Michelle Moreira
As comunidades quilombolas de Forte Príncipe e Santa Fé, no município de Costa Marques, em Rondônia, esperam há anos pela demarcação de suas terras. O Ministério Público de Ji Paraná ajuizou duas ações civis públicas contra a União e o Incra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, para que seja concluída a titulação das áreas. As duas ações foram negadas pela Justiça Federal.
Em Forte Príncipe a situação é complicada. A área em que a comunidade quilombola se encontra pertence ao Exército. De acordo com o superintendente do Incra, Luís Flávio Ribeiro, isso tem atrapalhado o processo de demarcação.
"Existe um atrito constante com o Exército. Ele não quer ceder esta área para que possamos fazer os estudos antropológicos. Tentamos com a Ouvidoria Agrária...O coronel já esteve aqui diversas vezes, mas ele não abre mão. A gente tem dificuldade de aprofundar este trabalho."
O general André Luís Novaes, comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva Príncipe da Beira, esclarece que existe um conflito de leis que deve ser resolvido.
"O empecilho não é o Exército. O empecilho é a legislação especial que regula a ocupação de área de fronteira que é conflitante com a legislação do auto-reconhecimento e dos quilombolas. O Exército é o dono daquela área. A área é afetada ao Exército há muito tempo. E é por isso que o Exército não pode permitir a entrada do Incra até que haja uma legislação final sobre isso...Possivelmente definida no Supremo Tribunal Federal."
Para tentar solucionar o problema, o general informou que o Exército tem atuado em várias frentes. Uma delas é uma ação conciliatória com o Incra para definir qual lei estaria em vigor. Outra é a concessão da terra de forma individual aos quilombolas. Assim, as pessoas cadastradas pelo Exército desde a ocupação da área poderiam usufruir do espaço, sendo proibida a venda.
De acordo com a vice-presidente da Associação Quilombola em Forte Príncipe, Maria Rodrigues, a proposta do Exército é inviável.
"A partir do momento que se delimita um espaço que delimitar aquele tamanho, um espaço pequeno, não tem como, principalmente para quem trabalha na roça. Então esta proposta é inviável. Não tem como."
Maria Rodrigues afirma que a área de Forte Príncipe é de 100 mil hectares. A proposta é de que a titulação para a comunidade seja relacionada a 21 mil hectares. Ela pontua ainda que não existe a intenção de que os militares deixem a área.
Para tentar chegar ao fim do impasse, a Justiça Federal marcou reunião conciliatória sobre o tema para o dia 4 de março. Foram convidados a participar a comunidade, o Incra, o Exército e o Ministério Público.
Já sobre a terra da comunidade Santa Fé, o Incra afirma que o processo está bem adiantado. Falta apenas a conclusão dos laudos a partir das últimas apurações em março. A previsão é de que o processo seja finalizado no segundo semestre deste ano.
O procurador da República Henrique Felber pontua que a demora dos processos leva a comunidade à descrença no Poder Público: "Tecnicamente tem o princípio da confiança. As pessoas acreditam que o governo vai fazer. E o Incra, no caso de Santa Fé está desde 2008 com o procedimento pendente. É muito difícil concretizar direito social no Brasil."
Questionado sobre a demora na demarcação, o superintendente do Incra alegou falta de pessoal; mas disse que seria empenhado o esforço necessário para acelerar o processo nas comunidades de Forte Príncipe e Santa Fé.
EBC/montedo.com

29 de janeiro de 2015

Uma Certa Capitã Carla...

Vários leitores questionaram o merecimento da Major Médica Carla Maria Clausi, primeira mulher a Comandar uma unidade do Exército Brasileiro. 
Pois bem, a matéria abaixo foi publicada há cinco anos por Garivaldino Ferraz em seu blog Mujahdin CucarachaLendo-a, você vai entender o significado de algumas das muitas condecorações à que a Major já fez jus. 
Mulher de fibra, esta Carla Maria.


Uma Certa Capitã Carla
A capitão Carla resgatando uma criança dos escombros no Haiti (imagem: CENACID)
Há anos mantenho contato com oficiais do Exército, tanto por trabalho quanto por amizade, e eles me relatam as aventuras, alegrias e tristezas dos soldados e fuzileiros que compõem a  missão de paz da ONU no Haiti. Bom, até os mais desavisados hão de lembrar do excelente trabalho das forças armadas brasileiras naquele miserável país caribenho, destroçado pela guerra civil. Quando as Nações Unidas se cansaram daquela zorra, enviaram as forças de paz em 2003. A população comemorou.
E continua comemorando. O Haiti ainda não saiu da miséria, mas ao menos escapou da guerra, dos assassinatos em massa, das torturas, das gangues armadas. Hoje, graças às forças de paz comandadas pelo Brasil desde 2004, aquele é um lugar melhor de se viver.
Nosso Exército pacificou as facções e reduziu a criminalidade; de quebra criou hospitais, escolas, fornecimento de água, infraestrutura, comunicações. Deu àquele povo sofrido um rumo, um norte, uma esperança. Trabalho de primeira; parabéns aos militares.
Infelizmente, isso é pouco divulgado. Ou simplesmente não o é. Coisa de nosso complexo de vira-latas, como diria Nélson Rodrigues.
Pior: Num País onde faltam heróis e sobram cafajestes, teimamos em ignorar os bons exemplos. Como sou mais teimoso ainda, vamos falar um pouco de dois desconhecidos: a capitã médica Carla Maria Clausi e o cabo Ricardo. Já ouviram falar deles? Certamente não, mas devem ter visto algo sobre o desabamento de uma escola na capital haitiana, Porto Príncipe, no dia 7 de novembro, no qual mais de 90 pessoas perderam a vida. Foi um horror; vários sobreviventes estavam sob toneladas de escombros, sem muita chance de salvamento, num lugar praticamente sem estrutura para atendimento de emergências. Que fazer pelos soterrados?
Em desespero, os haitianos se lembraram dos brasileiros; chamados, os militares enviaram imediatamente uma equipe médica completa, composta de soldados e fuzileiros navais. Foi a literal salvação de 4 crianças, de 6 a 7 anos de idade.
A capitã médica Carla e o soldado enfermeiro Ricardo se esgueiraram pelos escombros, ignorando o perigo de morte por esmagamento e, a muito custo, conseguiram salvar as crianças. As fotos, enviadas do Haiti por um amigo militar, são impressionantes. Mostram o grau de coragem dos dois heróis, que arriscaram suas vidas pelas das pobres crianças. Desafiaram a morte não por glória, dinheiro, fama ou medalhas. O agradecimento das famílias levou os bravos soldados às lágrimas.
Uns dirão que eles apenas cumpriram seu dever. Eu digo que foram além disso; demonstraram coragem, bondade, desprendimento, heroísmo. Mais do que reconhecimento, merecem todas as homenagens possíveis. Merecem ser lembrados.
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Quando vejo tais exemplos de caráter, logo vêm à mente todas aquelas medalhas que os políticos se auto-concedem (ou trocam) sem o menor motivo. Penso na Medalha Santos-Dumont que Marisa, mulher de Lula, recebeu em 11 de janeiro deste ano por “relevantes serviços” (gargalhadas) prestados à Força Aérea. Que vergonha. E dizer o quê de todas aquelas comendas que deputistas e senateiros recebem todos os anos, quando seus atos de “bravura extrema” se resumem a tomar uísque em seus enormes gabinetes acarpetados e refrigerados, rodeados de serviçais e puxa-sacos? O Brasil não tem jeito, mas alguns brasileiros têm. Principalmente a capitã médica Carla e o cabo Ricardo.
Acredito que Carla e Ricardo não vão receber nenhuma medalha, nenhuma homenagem de nosso governo. Ele está ocupado demais, pendurando faixas e adornos brilhantes em políticos gordos que se reúnem em Brasília para reclamar do calor; então, fica aqui nossa pequena homenagem a esses dois heróis que, se não forem mesmo reconhecidos como tal, ao menos servem para denunciar essa medonha inversão de valores (mais uma!) num País que trocou os fatos pela versão, a verdade pela ficção, o exemplo real pelo inventado.
Enquanto a capitã e o soldado arriscam a vida por quatro crianças pobres sem o menor reconhecimento das autoridades, a excelentíssima primeira-dama dá polimento em sua comenda, refletindo sobre seus relevantes serviços prestados, refestelada nos pufes do Palácio da Alvorada, aplaudida por um séquito de empregados. Alberto Santos-Dumont deve estar virando no túmulo.

COMENTO
A postagem é de novembro de 2008 mas só tomei conhecimento dela nesta data, graças à mensagem eletrônica do meu amigo Nilton. Lamentável a omissão de nossa imprensa e a falta de empenho de quem deveria divulgar o fato, mesmo que fosse em "matéria paga". Para quem quiser ver o destaque dado pela instituição que deveria sentir-se honrada pela atitude de seus membros, é só procurar a nota publicada em um enlace que pode ser localizado junto ao rodapé da página institucional. Há que ter paciência na busca entre outras notas abordando as importantíssimas visitas de "otoridades".
ATUALIZAÇÃO: infelizmente, os enlaces acima citados já não conduzem a nada que se relacione ao fato. Porém, se alguém quiser um excelente relato do ocorrido no Haiti, escrito pelo Embaixador do Brasil no Haiti, à época, e pela própria Oficial, pode ler clicando aqui. Por outro lado, hoje, 17 Mai 2014, li com muita satisfação a notícia dando conta que a já Major Carla Maria Clausi vai assumir o Comando do Hospital da Guarnição de João Pessoa, na Paraíba, tornando-se a primeira Comandante do segmento feminino do Exército Brasileiro. Parabéns à Major Carla e muito sucesso em seu Comando!

De volta!

Pessoal, passei o dia à disposição de quem manda- realmente! -  aqui em casa. Peço desculpas pela ausência de notícias hoje. Retomo daqui há pouco.
(E não se façam de desentendidos, vocês sabem muito bem do que estou falando hehehehe).

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